• Cristina Dalla Nora

O que seu filho está fazendo agora?


Um dos instrumentos da Psicologia é a observação do comportamento humano. Ao longo desse tempo de profissão, venho observando muitos aspectos no meu cotidiano a respeito das atitudes e comportamentos do dia-a-dia, principalmente de jovens, sejam menores ou maiores de idade, com um olhar crítico e preocupado como psicóloga e cidadã.

Diante disso, vou relatar alguns casos que tomei conhecimento ou vivenciei, baseados em fatos reais:

1. Fui desacatada no estacionamento do aeroporto por um jovem que queria furar a fila de entrada e não permiti. Ao descer do carro, ele veio em minha direção e me agrediu verbalmente, dizendo que eu era mal educada e não o deixei furar a fila porque eu não tinha conseguido. E eu lhe disse que, realmente, não tinha conseguido furar a fila, porque sequer havia tentado, uma vez que respeito os valores sociais e os que chegaram antes na fila;

2. Ouvi na rádio, na mesma época, que um jovem de 17 anos da alta sociedade de Salvador que foi para os EUA, com alguns amigos. Mas precisou voltar antes, porque trocou as etiquetas de uma blusa de U$ 100 e outra de U$ 10, para levar a mais cara, por valor inferior. Ao sair da loja, a polícia o esperava e precisou escolher: ou respondia a um processo (a maioridade penal no país é 16 anos) ou ser deportado naquele instante. Foi deportado; o pai foi buscá-lo no aeroporto e declarou à mídia: “Para que tanto? Ele só trocou uma etiqueta”;

3. Um grupo de jovens era suspeito (polícia estava investigando) de ter arrombado o cadeado de uma área restrita, que dá acesso às máquinas dos elevadores, ao topo do prédio e à caixa d’água do prédio onde mora. E, também, de ter invadido uma cobertura ainda em reforma e estragado algumas coisas por lá;

4. Estava no estacionamento de um hipermercado, quando vi uma mulher estacionar em uma vaga para idosos (ela era jovem, assim como, o rapaz e um menino, de uns seis anos, que desceram no veículo). Foi então que eu disse: “Moça, essa vaga é para idosos!” E o rapaz começou a falar que eu tinha problemas, que meu coração não era puro. Eu lhe disse que eu tinha vários problemas, mas que eu não estacionava em vaga de idosos, pois eu não sou idosa. Ele continuou e disse que eu era louca, e que era para a fulana tirar o carro de lá, porque eu poderia chamar a televisão e fazer um escândalo;

5. Toda vez que utilizo o metrô da minha cidade, observo homens utilizando o primeiro vagão do trem, que são de uso exclusivo para mulheres e pessoas portadoras de necessidades especiais.

Você já observou situações ou comportamentos semelhantes?

Eu poderia continuar escrevendo neste post, muitos outros casos sobre essas atitudes do ser humano. Todos vocês também devem ter histórias parecidas que vivenciaram ou ficaram sabendo.

O fato é que muito tem acontecido e observa-se a falta de impunidade legal e social, o que dá margem para a continuidade; pais passando a mão na cabeça ou sem saber o que fazer; comunidade acuada, porque no momento em que chama a atenção, é agredida pelo próprio infrator; etc.

Já me disseram que não adianta falar, que é necessário reclamar com as autoridades. Será que um cidadão que alerta o seu igual sobre o correto, não é uma autoridade no momento? No sentido de fazer valer as regras, as normas e a moral que nossa sociedade estabeleceu e as leis que nosso Estado criou.

Devemos nos calar diante da violação de regras e leis?

Estaríamos nos tornando cúmplices?

Ultimamente, no nosso país, o assunto em pauta relacionado às leis, regras e falta de impunidade, é a corrupção no cenário político. É fácil ouvir pessoas comentando que um é ladrão, que outro é corrupto, que precisa ser cassado e impedido. Sim, é claro! Precisa! Sem dúvida alguma!

Mas e quantas vezes, quem aponta o dedo para o político corrupto pratica corrupção em sua vida e não é punido?

Lembra do tal jeitinho brasileiro?

Não quero entrar no assunto da política, é apenas um exemplo.

Precisamos olhar para nós e refletirmos sobre nossas condutas e comportamentos em sociedade, em comunidade. Principalmente, nossas atitudes assistidas pelas crianças, para quem somos exemplos. Uma vez que: "não faça o que eu faço mas, sim o que eu digo"; é totalmente falha! As crianças aprendem observando nossos comportamentos. Não é difícil darmos risada com a repetição da criança pequena de alguma atitude que tivemos perto dela, como quando colocam a mão em frente da boca quando tossem, apenas porque nós fazemos.

Quais são os valores que estamos perpetuando?

O que estamos ensinando aos nossos filhos, netos, sobrinhos, afilhados, alunos? Temos responsabilidades e deveres por suas atitudes, enquanto pais e cidadãos de exemplo.

Ainda lhe parece um filme de ficção?

#CristinaDallaNora #Comportamento #Reflexão #Sociedade #Cidadania

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