• Cristina Dalla Nora

Os adolescentes na separação do casal


Com muita frequência é observado, no consultório, que os filhos não são poupados das brigas de um casal em processo de separação e muitas vezes são envolvidos como “testemunhas”, por um ou pelos dois genitores. No sentido que ouvem: “você está vendo o que seu pai está fazendo comigo?”; “fique aqui e ouça o que sua mãe diz sobre mim”.

O casal pode não observar a necessidade de não envolver os filhos, de qualquer idade, nas brigas e situações dessa separação. Sendo que como consequência, podem afetar de forma complexa a vida sócio-afetiva deles.

Alguns podem não reagir de forma direta, imediata ou até mesmo podem não externalizar. E é aqui que precisamos ficar atentos. Pois, não quer dizer que o fato do filho não demonstrar algum sintoma, é que ele esteja se sentindo bem, ou não esteja somatizando ou percebendo tudo o que acontece.

A adolescência é uma fase do ciclo de vida do indivíduo com muitas complexidades: nas relações, na fisiologia do corpo, nas emoções, etc. uma vez que a maior parte de tudo o que está acontecendo é uma novidade, uma situação nova sendo vivenciada, e que muitos ainda não sabem lidar e nem foram ensinados a lidar com tal.

Quando fazem parte ativamente ou não das brigas de seus pais, muitas vezes podem aparecer comportamentos que não estamos acostumados a observar naquele adolescente específico, como: uso de álcool ou drogas, isolamento, queda no desempenho escolar, mudança de grupo de amigos, perda ou ganho de peso, mentiras, perda no interesse pela família, etc.

Não podemos desconsiderar esses sintomas e nem as opiniões dos nossos filhos. Devemos esclarecer os acontecimentos e a decisão de uma separação, mas não torná-los parte da mesma. A separação de um casal não significa o término da família, nem do amor que envolve aquelas pessoas e isso precisa ser dito aos filhos.

O adolescente pode se aproveitar dessa situação em que os adultos não estão se entendendo para testar os limites e descumprir as regras, principalmente quando o casal já está separado e o adolescente passa um tempo na casa de um e de outro. Por exemplo: o horário estabelecido para chegar em casa, o limite do uso do smartphone. Dessa forma, é muito importante que os pais em processo de separação ou separados possam manter uma relação madura e a comunicação saudável para a boa condução da criação dos filhos. É claro que é quase impossível que as regras sejam as mesmas em cada casa, mas é importante que cheguem a um acordo, sendo que o mais importante é a consistência dessas regras.

É comum considerarmos os adolescentes como “quase adultos” e acharmos que podemos compartilhar com eles detalhes inapropriados em relação à separação dos pais. Cuidado! Afinal, divórcio é assunto de adulto.

Um psicólogo e a terapia familiar, podem ajudar e mediar este conflito, orientando para a melhor condução deste processo de separação.

Texto inspirado no Capítulo 9 Questões especiais sobre adolescentes, de Autor Desconhecido em Ainda Somos Uma Família, de Lisa René Reynolds. Editora Sextante, 2013.

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