• Cristina Dalla Nora

Sintoma x Causa


A popularização da Psicologia no Brasil, que neste ano de 2016 completará 54 anos por aqui, tem prós e contras, como qualquer outra profissão.

Ainda carregamos um fardo, que nos foi dado pela sociedade mais tradicional, de que cuidamos da loucura (nesse momento, nos questionamos sobre o que é a loucura? Mas é assunto para outro dia).

Alguns encaram o Psicólogo clínico de uma forma mais leve e verdadeira, quando o procuram para a terapia a fim de autoconhecimento ou resoluções para problemas relacionais. Mas, ainda assim, existe um pré-conceito a respeito da profissão.

Nos últimos tempos, o diagnóstico tornou-se indispensável para justificar desajustes comportamentais e resolver os problemas de indivíduos e famílias. Através das pílulas da felicidade ou do rótulo nomeando o problema do indivíduo, tudo passa a ser aceitável e justificado.

Aliás, é muito mais fácil aplicar uns testes, fazer umas avaliações psicológicas, encaixar o indivíduo fora da normalidade e dentro de sintomas que se apresentam num livro e, pronto! Tudo é resolvido. Mas e o contexto sócio-histórico? E os padrões relacionais que este indivíduo estabeleceu e estabelece? Nada disso tem importância, amigos!

O que importa é sair do consultório de um psicólogo com um laudo carimbado, ir a um psiquiatra e sair com uma receita de pílula da felicidade, e falar para todos: “meu filho é hiperativo, por isso ele vai mal na escola”.

Isso tem consolado e acomodado todas as famílias e os indivíduos que enfrentam essa dificuldade, e muitas outras, no seu cotidiano.

Um aspecto que todos precisam ficar atentos é que um remédio vai aliviar ou acabar com os sintomas. Por exemplo, se temos uma dor de cabeça, resolvemos com um analgésico. Se todo dia temos a dor de cabeça, adianta dar fim só ao sintoma ou precisamos procurar a causa?

Isso é igual para os processos comportamentais e psicológicos, que são de ordem afetiva e relacional.

O medicamento ajudará na redução dos sintomas e é de grande importância para que a causa possa ser acessada através da psicoterapia. Se o sintoma não estiver controlado, o psicólogo não consegue fazer muita coisa dentro do consultório e pelo indivíduo.

Em muitos casos, o tratamento medicamentoso não é necessário, uma vez que é possível desconstruir essa necessidade farmacológica construída pela mídia, acalmar a ansiedade em uma única sessão e dar prosseguimento apenas com a psicoterapia. Dessa forma, aponta-se as causas e possíveis estratégias de resolução. Obviamente, que existem casos em que a terapia medicamentosa se faz necessária.

Um movimento natural, diante de um sofrimento psicológico, é buscar, a princípio, um psiquiatra.

É a partir disso que se destaca a “briga” que a Psicologia tem com a Psiquiatria.

Existem excelentes profissionais da Psiquiatria que reconhecem a importância da psicoterapia juntamente com o tratamento medicamentoso para esses processos psicológicos. Porém, existem outros que ignoram o trabalho que um psicólogo pode realizar, uma vez que exaltam a importância da medicina e da farmacologia. Esta que está todo dia nos meios de comunicação prometendo resolver todos os nossos problemas.

É com esse segundo profissional que travamos uma luta sem fim a respeito da Psicologia, para que possam reconhecê-la como importante e necessária em tratamentos de conflitos e problemas emocionais.

Na sua opinião, um indivíduo que foi diagnosticado com depressão, vai resolver o seu problema apenas tomando o anti-depressivo? Será que apenas ingerindo este fármaco, em que vai fazer com que ocorra a liberação de substâncias no cérebro e melhorar o funcionamento de neurotransmissores, vai resolver o problema de depressão? Ou quando ele parar o uso do fármaco tudo voltará?

Precisamos nos atentar às causas dos nossos sintomas, principalmente as de ordem emocional (psicossomática, por exemplo), e acabar com o mal pela raiz.

Não se iluda com a pílula da felicidade! : )

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