• Cristina Dalla Nora

Dia do Psicólogo - 27 de Agosto


Hoje, 27 de agosto, é o Dia do Psicólogo. Neste ano de 2017, estamos completando 55 anos de profissão regulamentada aqui no Brasil (regulamentada em 1962, Lei 4.119).

- Para ser Psicólogo, é necessário fazer um curso superior de Psicologia (reconhecido pelo MEC).

- Para atuar como Psicólogo, além do curso, também precisa estar devidamente registrado no Conselho Regional.

- O Psicólogo pode atuar em várias áreas, como: clínica, hospitalar, social, organizacional, escolar e outras, e independentemente da área de atuação, precisa ter o registro ATIVO no CRP da sua região.

Pensei bastante em qual seria o conteúdo que eu escreveria em comemoração a este dia tão especial e, sim, é um dia especial. Sabe por quê?

A Psicologia tem passado por muitas transformações nos últimos anos. Ao meu ver, muito se deve ao fato de estarmos conectados, fazendo parte das redes sociais, mais próximos da sociedade, de forma geral, e também ao movimento de divulgação do trabalho do Psicólogo que tem sido feito por muitos profissionais, quebrando mitos e estereótipos a respeito da Psicologia. Tudo isso, confesso, é algo que me preocupa, apesar de comemorar e reconhecer a importância. Ainda vou falar mais sobre isso, pois observo quase que diariamente situações nas redes sociais que ferem o nosso Código de Ética, no que diz respeito à divulgação do nosso trabalho como Psicólogos. Mas de fato, não entrarei em detalhes sobre isso aqui neste texto, pois quero aprofundar em outro momento.

Dessa forma, para dar o pontapé inicial no que pretendo falar futuramente sobre a divulgação e a ética profissional, resolvi trazer um pouco do Código de Ética Profissional do Psicólogo, pois acredito ser importante para a sociedade conhecê-lo e para que possa, também, proteger-se dos maus profissionais. E não só para a sociedade, para que nós mesmos, Psicólogos, nunca esqueçamos que este Código de Ética existe e precisa ser revisitado de tempos em tempos, para que nossa profissão seja cada vez mais reconhecida.

Se você quiser acessar o Código completo, clique aqui e acesse o PDF no site do CFP (Conselho Federal de Psicologia).

Segundo Marcia Ferreira Amendola, que escreveu um artigo em 2014 com o título de História da construção do Código de Ética Profissional do Psicólogo (http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/12559/9743), tivemos quatro códigos de ética escritos até hoje.

O primeiro foi organizado em 1966-67 e chamado de Código de Ética dos Psicólogos Brasileiros; em 1979, o segundo Código de Ética entrou em vigor; com 25 anos de profissão regulamentada no Brasil, em 1987, o terceiro Código de Ética Profissional do Psicólogo passou a vigorar; o quarto, é o Código que praticamos até hoje, e entrou em vigor em 2005.

Para hoje, quero trazer na íntegra, a Apresentação e os Princípios Fundamentais (p. 5-7) encontrados no nosso Código atual, pois trazem considerações importantíssimas para a nossa profissão e atuação profissional. Acompanhe e reflita:

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO

APRESENTAÇÃO

Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais, norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo.

Um Código de Ética profissional, ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade, procura fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis, de modo a responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por ações e suas conseqüências no exercício profissional. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho, e, sim, a de assegurar, dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas, um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria.

Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Por constituir a expressão de valores universais, tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos; sócio-culturais, que refletem a realidade do país; e de valores que estruturam uma profissão, um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. As sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso exige, também, uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta.

A formulação deste Código de Ética, o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil, responde ao contexto organizativo dos psicólogos, ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade, sentida pela categoria e suas entidades representativas, de atender à evolução do contexto institucional-legal do país, marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã, em 1988, e das legislações dela decorrentes.

Consoante com a conjuntura democrática vigente, o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão, suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O processo ocorreu ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade.

Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. Para tanto, na sua construção buscou-se:

a. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades profissionais e a ciência, pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional.

b. Abrir espaço para a discussão, pelo psicólogo, dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos, questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade, os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços.

c. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais.

d. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.

Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo, oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações, contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.

IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática.

V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços e aos padrões éticos da profissão.

VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada.

VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais, posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código.

No futuro, vou trazer outros tópicos do Código de Ética para reflexão.

Um Abraço a todos colegas Psicólogos por essa data tão importante para nós e para a sociedade brasileira!

#Psicólogo #Psicologia #DiadoPsicólogo #27deAgosto #55anosdeProfissão #CódigodeÉtica

© 2016-2020 por vempensarPSI.com.br e cristinadallanora.com.br

Atenção: este site não oferece atendimento imediato e de emergência. Em caso de crise, ligue para 188 - Centro de Valorização da Vida - ou acesse www.cvv.org.br. Procure o hospital mais próximo em caso de emergência.