• Cristina Dalla Nora

Ponte ou Muro


Na semana passada participei do XII Encontro Brasileiro sobre o Pensamento de Donald Winnicott - Winnicott, poder e sofrimento psíquico, que foi realizado aqui em Brasília, de 07 a 09 de setembro de 2017. Como sempre digo: sou muito interessada em psicanálise, apesar de não trabalhar com essa abordagem, e resolvi participar desse evento, que foi fantástico.

Gostei muito do que vi lá; discussões sobre a contemporaneidade do pensamento do Winnicott, pois ele faleceu em 1971 e nossa sociedade mudou muito de lá pra cá, não é mesmo? Então, ver tantos psicólogos e psicanalistas que se dedicam muito aos estudos e pensam a teoria de Winnicott para ser aplicada no que vivemos hoje, foi muito especial!!

Entre muitos aprendizados, (re)descobertas, (re)afirmações… Quero compartilhar uma metáfora muito especial que ouvi em uma das palestras e que, hoje, despertou-me uma intensa reflexão sobre isso.

Por que hoje? Porque ouvi, no programa da Fátima Bernardes (que o tema era sobre preconceito), uma fala do rapper Emicida, citando um amigo, que precisamos decidir se queremos ser Ponte ou Muro: ponte conecta pessoas.

Quero contextualizar de alguma forma e levantar uma

reflexão sobre o ser PONTE ou ser MURO.

Uma ponte, de fato, conecta.

A ponte que passa pelo Rio Uruguai, no Goio-ên, conecta os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apesar dos inúmeros bafafás e piadas que envolvem Catarinenses e Gaúchos, todos podem se conectar. Sobre o mesmo rio, outra ponte conecta os mesmos estados, em Iraí. Mas, ao passar nessa ponte de Iraí, dentro do rio, é possível avistar restos de concreto de uma ponte que se desconectou... para sempre. Uma ponte desconectada pela força da água, por uma enchente.

Por vezes, o nível das águas sobe e nos ameaça… O rio ameaça nos desconectar e desconecta. Por vezes, cruzar as fronteiras por meio de pontes, torna-se uma jornada perigosa, difícil, carregada de medos. Quando forças se unem, mais e mais pontes são construídas.

O muro nos afasta.

Quando um muro é construído, simplesmente afasta. Assim como o muro de Berlim ou a Grande Muralha da China, o muro nos divide em partes. Uma daqui; outra de lá. Muitas vezes, além do muro, encontramos cercas eletrizadas, ou seja: não se aproxime, em hipótese alguma. Não permito sua proximidade, sua conexão, sua ajuda, você. Eu aqui, você aí.

Da mesma forma, para a construção de um muro, forças se unem. Mas, o resultado final é o oposto da ponte. Nós sabemos disso.

Nós sabemos que muros nos afastam e pontes nos conectam.

Às vezes, precisamos ser ponte; outras, muro. Será que sabemos quando e como ser um ou outro? Será que sabemos quando há necessidade ou quando é desnecessário?

E você? Muito muro ou muita ponte? É sempre uma questão de escolha!

#CristinaDallaNora #Reflexão #Sociedade #Comportamento

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