• Cristina Dalla Nora

O que aprender com 13 Reasons Why?


Antes de começar, temos duas coisas a fazer:

1. A postagem precisou ser dividida, acesse aqui a parte 2: https://www.vempensarpsi.com.br/single-post/2018/05/22/Sobre-o-que-conversar-13-Reasons-Why

2. Vamos responder uma grande pergunta sobre a série:

Todo mundo deve assistir à primeira temporada? Não.

Pessoas emocionalmente fragilizadas por qualquer motivo, não devem ser encorajadas a assistir. A série tem um nível pesado de coisa ruins (vamos dizer assim), e quando estamos numa bad, deveríamos evitar contato com coisas ruins, certo? Porém, por mais que não veja os episódios, as pessoas acabam sabendo do que se trata, então: não fuja da conversa, do debate.

No menu da série, na Netflix, tem a opção Aviso de conteúdo. Ao clicar, podemos ler a seguinte descrição: “Esta série contém cenas que os espectadores podem considerar perturbadoras, incluindo imagens explícitas de abuso sexual, consumo de drogas e suicídio. Se você ou alguém que você conhece estiver enfrentando um momento difícil e precisar de ajuda, acesse 13ReasonsWhy.info para obter mais informações”.

Ao entrar no site, basta selecionar o país e os serviços de ajuda são informados. E apesar de tantas críticas que a primeira temporada sofreu e a segunda já começou a sofrer, vamos combinar que é um baita serviço à sociedade! Obrigada, 13 Reasons Why!

Isso mesmo. Obrigada! A série dá um passo para quebrar o grande tabu da nossa humanidade no século XXI: a vergonha de se pedir ajuda.

O principal e maior aprendizado da primeira temporada, é sobre pedir ajuda.

Se você não está bem: PEÇA AJUDA! CVV, Pais, Amigos, Psicólogos...

Por falar em ajuda, tem um extra na série que muitos não assistem, mas deveriam. Eles mostram como todos os atores e produção da série foram cuidados e ajudados durante as gravações devido ao conteúdo da série. Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e outros profissionais participaram ativamente da produção, com apoio a todos. E incentivam a todos que sentem ou passam por situações ou sentimentos semelhantes a buscarem ajuda. Indicando, em cada país, onde conseguir ajuda. Por exemplo, no CVV ou SaferNet.

CVV - Centro de Valorização da Vida

DISQUE 188

http://www.cvv.org.br

SaferNet

Peça ajuda por e-mail ou chat no site:

http://www.helpline.org.br/

Não faz muito tempo, o site da revista Pais & Filhos (http://paisefilhos.uol.com.br/familia/estudo-da-netflix-mostra-impacto-positivo-em-pais-e-filhos/) publicou uma reportagem sobre um estudo encomendado pela Netflix sobre o impacto positivo que a série 13 Reasons Why provocou em pais e filhos, levantando discussões importantes sobre assuntos pertinentes e persistentes principalmente na adolescência, como: bullying, depressão, assédio e abuso sexual.

A pesquisa contou com 5400 entrevistados de diversos países, incluindo o Brasil, e 74% dos entrevistados sentiram que ver a série foi benéfico; 67% declararam que a série apresentou aspectos reais sobre o Ensino Médio, demonstrando preocupação, uma vez que o ambiente pode parecer bem assustador e perturbador para os jovens. E, ainda, 84% disseram que incorporaram informações sobre assuntos difíceis, além de ajudar na percepção de que algum colega pode estar vivenciando um momento difícil, como uma depressão. Os pais também relataram que o seriado possibilitou uma abertura para com os filhos, para conversar com eles sobre assuntos difíceis, sendo que muitas vezes falta coragem para abordar tais assuntos.

As críticas e preocupações levantadas por causa da série, de fato, são muitas. Muitos pais, professores e especialistas preocuparam-se com o impacto da série. O fato é que a série aconteceu... E não adianta a gente querer ficar reclamando: “ai não deveriam ter mostrado isso; ai que cena forte; ai que pesado esse conteúdo”. Diante do exposto pela série (e sim, coisas que sabemos que acontecem com os jovens - sem hipocrisia), por que não conversar?

Acredito que boas conversas, francas e sinceras, sempre podem ajudar.

Encarar a situação de frente, também.

Afinal, a incidência da depressão, violências e suicídio está cada vez mais alta na humanidade. E essas questões são tabus na sociedade. Não são faladas, nem tratadas da forma como deveriam, e o não dito pode ser o grande vilão.

Ver a série, simplesmente, pode ser um problema.

Mas ver a série e discutir os assuntos por ela proporcionados, pode ser uma excelente estratégia para aumentar os ganhos em saúde mental, prevenção e até mesmo na busca e na efetividade dos tratamentos necessários. Lembremos que a adolescência é uma fase do ciclo de vida de muitas transformações, mudanças, incertezas e que todos os aspectos vivenciados nessa fase, podem se tornar mais confusos e mais difíceis. Apoio, esclarecimento, prevenção, informação, conversa... tudo isso pode ajudar e amenizar!

Prevenir não é se calar!

A segunda temporada acabou de estrear na Netflix (aliás, em 18 de maio – dia da luta antimanicomial), mas, por enquanto, falaremos da PRIMEIRA.

A primeira temporada da série foi ao ar em março de 2017 como conteúdo original da Netflix e foi baseada e inspirada no livro do autor Jay Asher, co-produzida por Selena Gomez. Apresenta alguns elementos diferentes dos apresentados no livro, como o cyberbullying e o uso das redes sociais (visto que em 2007 essas questões não eram tão rotina na vida dos jovens), personagens e atuações um pouco diferentes. E parece que em uma das edições, no 10º aniversário do livro, o desfecho da história foi diferente: Hannah sobreviveu à tentativa de suicídio. Dessa forma, abre a possibilidade para tratar e ressignificar todos os 13 motivos, deixando como legado outras formas de resolver problemas e conflitos, sem precisar tirar a própria vida para resolvê-los.

Hannah Baker (Katherine Langford) e Clay Jensen (Dylan Minnette) são os protagonistas da série. Logo no início da série, já ficamos sabendo que Hannah cometeu suicídio. Porém, a jovem deixou áudios gravados, em fita, explicando os motivos que a levaram ao suicídio, narrando sua história e sua convivência com alguns amigos e colegas da escola, com sua família, até mesmo com o conselheiro da escola. Nas gravações contém como vivenciou e sentiu cada relação e cada momento da sua vivência com essas pessoas, levando na decisão de tirar a própria vida.

Bom, não vou contar toda a série num resumo, pois não é a intenção das postagens.

O objetivo é revermos os 13 motivos ou 13 episódios e

observarmos quais são os assuntos tratados ali que podemos conversar

com nossos pais, amigos, psicólogos e outros.

É bom lembrar que quando temos uma relação pais-filhos mais democrática, com uma comunicação mais clara, aberta e com respeito ao outro (pais-filhos e filhos-pais), respeito aos seus sentimentos, pensamentos, opiniões, posicionamentos... só temos a ganhar!

Leia a continuação da postagem (com spoilers): https://www.vempensarpsi.com.br/single-post/2018/05/22/Sobre-o-que-conversar-13-Reasons-Why

Obs.: As imagens da série utilizadas na postagem foram retiradas da divulgação, no Google.

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